Transtornos de Personalidade – Artigo I

Profª Dra. Cleomar Landim de Oliveira

  1. História dos Transtornos de Personalidade

Os tipos e transtornos de personalidade têm sido descritos há muitos anos, ilustrados na descrição dos quatro temperamentos hipocráticos: o melancólico pessimista, o sanguíneo otimista, o colérico irritável e o flegmático apático. Observa-se que no início a teoria grega destes quatro temperamentos, determinada pela proporção relativa de quatro humores corporais (biles negra, sangue, biles amarela fleuma), que já refletia os atuais intentos por descobrir as bases biogenéticas da personalidade.

No início do século XIX, psiquiatras como Pinel, Esquirol, Rush e Pritchard descreveram os tipos de personalidade socialmente inadaptados em situações clínicas. Começando o século XX,foram descobertos tipos mais específicos de personalidade; Janet(1901) e Freud(Breuler e Freud 1893-1895/1957)definiram os traços psicológicos associados com a histeria,o percursor do transtorno histriônico da personalidade. Na teoria psicanalítica instintos primários, Abraham propôs que a detenção em algum dos três estádios psicosexuais do desenvolvimento infantil (as fases oral, anal e fálica) levava ao desenvolvimento dos tipos de caráter dependente, obsessivo-compulsivo e histérico, respectivamente. Evidentemente este ponto de vista mudou quando a teoria dos instintos primários e o modelo psicológico do EU da teoria psicanalítica foi substituída pela teoria das relações objetais,a qual propõe que a personalidade se forma na primeira infância a partir das relações parentais.Os riscos da personalidade do tipo dependente derivam da privação parental,os riscos obsessivo-compulsivo da luta pelo poder com a figura paterna,os riscos histéricos, sobrevém em parte,da sedução e rivalidade com os pais.Os conceitos de transtorno limite e narcisista da personalidade também se desenvolvem a partir da teoria das relações objetais.

Na década de 1920 os fenomenólogos alemães Kraepelin(1921) e Kretschmer (1925)descobriram os tipos da personalidade em termos de conceito de espectro(teoria na qual os tipos de personalidade estão relacionados biogeneticamente com a variação das psicoses paranóides e afetivas que atualmente se considerariam transtorno do Eixo I).

Estes tipos do espectro da personalidade foram os antecedentes dos atuais transtornos paranóides, esquizotímico, ciclo tímico e depressivo da personalidade. Entretanto Schneider (1958),também fenomenólogo alemão considerava que os transtornos da personalidade representavam desvios sociais e variáveis extremas de traços normais da personalidade. Favorecendo do desenvolvimento do primeiro sistema amplo de categorias dos transtornos da personalidade, proporcionando para muitos dos transtornos contemplados na 10ª revisão da Classificação Estatística Internacional de Enfermidades (CIE-10 em 1992) e na DSM-IV.

Os transtornos da personalidade estão incluídos em todas as versões da DSM, mas apenas os transtornos paranoide, obsessivo-compulsivo (TOC) e anti-social foram mantidos de modo estável na DSM. (Algumas categorias atuais (por exemplo, o transtorno da personalidade limite) foram mantidas em edições posteriores, enquanto outras (por exemplo, o transtorno da personalidade por inadequação) foram eliminadas). Com o tempo  as categorias DSM em relação aos transtornos da personalidade teve mudanças.

Em 1952 foi publicado a DSM-I onde definia os transtornos da personalidade não como padrão crônico e estável, mas como desvios que não funcionavam corretamente, com situações estressantes e que produziam um comportamento inflexível e inadaptável. O DSM-II (1968) afirmava que os transtornos da personalidade incluíam não só uma conduta socialmente desviada, mas também indisposição indefinida e deterioração do funcionamento.

A DSM-III fez várias mudanças, relevantes na conceptualização e classificação dos transtornos da personalidade. Afastou-se da orientação psicanalítica e buscou um enfoque ateórico e descritivo.Agregaram critérios diagnósticos específicos,e os transtornos da personalidade foram para um Eixo separado para ressaltar a importância  de seu diagnóstico.

Na DSM-III-R e na DSM-IV trataram de aumentar a validade das categorias do transtorno da personalidade incorporando os dados gerados na crescente literatura empírica. Ainda que as descrições atuais da DSM procurem representar uma síntese ótima entre a tradição clínica e os achados empíricos, provavelmente continuaram evoluindo com o tempo, à medida que aumente nossa compreensão acerca destes transtornos.

Bibliografia

-BECK,Aaron T; FREEMAN, Arthur:DAVIS,Denise

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