SÍNDROME DO NINHO VAZIO

Por Solange Brigido

A falta que os filhos fazem

Os filhos crescem, se formam, começam a trabalhar, casam-se…quando resolvem “bater asas” e sair de seus ninhos, surge a dor. É uma dor humana como se sussurrasse aos ouvidos: “Eles se foram, e agora? O que vou fazer da minha vida? Do que vou me ocupar? Ninguém depende mais de mim?

 As mães enfrentam um período de tristeza profunda, solidão e um enorme vazio que parece não ter fim. Elas constatam que já não é necessário desempenhar o papel de mãe ao qual estavam acostumadas e agora precisam se adaptar à nova vida longe dos filhos. È como se a vida perdesse todo o sentido, pois não se sentem mais úteis. Este drama interno acontece, não porque seus filhos já não dependem mais da mãe, mas porque ela é dependente deles, ou seja, depende daquela dependência que eles tinham por ela. A este sentimento de vazio e tristeza consequente dá-se o nome de Síndrome do Ninho Vazio.

O problema se agrava com a chegada da menopausa, pelo processo de modificação corporal fisiológico. O corpo, internamente, vai tomando consciência de que já não pode mais gerar e associado à saída de casa dos filhos, a sensação de tristeza aumenta.

Inevitavelmente as mães remontam ao passado e já não reconhecem mais as vossas casas. Aquela bagunça de brinquedos espalhados pelo chão, desordem no quarto, as camas que serviam de pula-pula…são substituídos por uma casa impecavelmente arrumada e um silêncio extraordinário, outrora tão almejados, mas que no momento passa a ser questionado. Até que ponto esta fase da infância com os filhos foi bem aproveitada ou tomada por pequenas neuroses humanas, nomeadamente, mania de limpeza, ordem, arrumação e exigências que subtraíram o precioso tempo de curtição em família?

A síndrome do ninho vazio como qualquer síndrome tem um fundo psicológico. Apesar da dor, isto não é doença. Ocorre com muita frequência e principalmente com mulheres que não desenvolveram outros papéis, fixaram-se unicamente no papel de mãe.

Mas será que esse vazio passa? O que fazer para suprir essa falta? O que aconteceu na dinâmica dessas famílias que centralizaram a atenção exclusivamente sobre os filhos? O que está faltando para esses casais?

É preciso uma reflexão sobre os papéis que desempenhamos na vida.

Há muita coisa para ser planejada, muita vida pela frente e os pais não podem esquecer que primeiramente são esposo e esposa, e até muito antes disso, homem e mulher.

É necessário buscar a individualidade de cada um dentro do núcleo familiar. Isto é super importante para que todos tenham uma identidade própria como indivíduo, sem se apoiar e depositar seus desejos no outro. Com os papéis estabelecidos, os vínculos fortalecidos e os espaços respeitados, é possível pais e filhos crescerem juntos. Assim, aprendem a curtir com prazer o caminho que os levam a uma vida saudável e feliz. Com essa família forte, o ninho jamais ficará vazio.

Uma boa estrutura familiar permite que os filhos saiam de casa, mas da mesma forma permite que eles se sintam acolhidos e encontrem espaço sempre que quiser ou precisar voltar. O filho que já sabe que é amado por seus pais, precisa testar se também poderá ser amado pelo mundo, e para tanto precisa desprender-se da mãe. Faz parte do seu processo de individuação.

Outro aspecto relevante é que mesmo os pais sendo felizes com os filhos, o casamento pode melhorar quando eles saem de casa. É um momento oportuno para o casal (re)conhecer um ao outro e antes disso, reconhecer-se a si mesmo, descobrir-se (como homem e mulher) e (re)aprender a viver juntos e sozinhos. É o momento do recomeço, de (re)aquecer a chama do casamento. É importante que ambos procurem resgatar o que gostavam de fazer anteriormente à vinda dos filhos, transitando em seus diferentes papéis sem se fixar num só. A mulher também não pode se esquecer de que também para o marido, a síndrome do ninho vazio pode se fazer presente.

Ninguém pode viver em função de seus filhos como se o casamento só existisse na presença deles. Constatar que se vive para os outros e não com os outros não é saudável para o casal. Como diz o velho ditado “criam-se os filhos para o mundo”. Eles não são propriedades de ninguém, mas às vezes é difícil de aceitar. Os filhos também sofrem com isso, mas eles só vão entender quando assumirem papéis de pais.

Para evitar todo esse drama é fundamental que a mãe perceba que não é necessário manter vínculos de apego para ser uma pessoa inteira e que embora os filhos cresçam o amor não diminui, somente a forma de demonstrá-lo é que mudou. Aliás vive-se em constante transformação. De definitivo e eterno somente os pais, os filhos e o amor que os envolve.

É importante que os pais não parem a sua caminhada e consigam redescobrir o prazer nos diferentes papéis. Pais e filhos são cúmplices na aprendizagem, na descoberta da vida. Companheiros e amigos nas transformações, jamais proprietários.

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