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Curso: Artes como Recurso na Intervenção e na Avaliação Psicopedagógica

segunda-feira, 13 de junho de 2011
  • Profª Mestre em Psicologia- Mônica Hoehne Mendes (ambas Conselheiras da ABPp – São Paulo)
  • Rose Soares – formada em Artes Plásticas, Psicomotricista e Psicopedagoga.

Partindo do ponto de vista que a arte é mediadora do conhecimento de si mesmo e do mundo, o objetivo do curso é propiciar vivências com diferentes técnicas de artes,de maneira a facilitar a reflexão sobre os recursos terapêuticos presentes nestas atividade.Através da observação do outro procuraremos instrumentalizar os participantes para uma leitura simbólica a nível cognitivo e a nível afetivo.

A estrutura do curso visa possibilitar uma interação entre teoria e prática, por meio de oficinas de artes plásticas, técnicas projetivas psicopedagógicas e leitura de textos.

Metodologia:

  • Aulas expositivas
  • Aulas práticas (oficinas)
  • Debates

Avaliação:

  • Trabalhos práticos (oficinas)
  • Participação nos debates (baseado na leitura de textos)
  • Entrega dos Trabalhos

Carga Horária: 32 / aula (04 sábados alternados: de 8:00 às 12:00 e de 14:00 às 18:00

Certificado com a chancela da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática – ABMP- DF

Investimento: 250,00 a vista ou 280,00 em dois cheques pagos no Banco Itaú agência 0066 conta corrente 74487-1 em nome de Cleomar Landim de Oliveira

SÍNDROME DO NINHO VAZIO

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Por Solange Brigido

A falta que os filhos fazem

Os filhos crescem, se formam, começam a trabalhar, casam-se…quando resolvem “bater asas” e sair de seus ninhos, surge a dor. É uma dor humana como se sussurrasse aos ouvidos: “Eles se foram, e agora? O que vou fazer da minha vida? Do que vou me ocupar? Ninguém depende mais de mim?

 As mães enfrentam um período de tristeza profunda, solidão e um enorme vazio que parece não ter fim. Elas constatam que já não é necessário desempenhar o papel de mãe ao qual estavam acostumadas e agora precisam se adaptar à nova vida longe dos filhos. È como se a vida perdesse todo o sentido, pois não se sentem mais úteis. Este drama interno acontece, não porque seus filhos já não dependem mais da mãe, mas porque ela é dependente deles, ou seja, depende daquela dependência que eles tinham por ela. A este sentimento de vazio e tristeza consequente dá-se o nome de Síndrome do Ninho Vazio.

O problema se agrava com a chegada da menopausa, pelo processo de modificação corporal fisiológico. O corpo, internamente, vai tomando consciência de que já não pode mais gerar e associado à saída de casa dos filhos, a sensação de tristeza aumenta.

Inevitavelmente as mães remontam ao passado e já não reconhecem mais as vossas casas. Aquela bagunça de brinquedos espalhados pelo chão, desordem no quarto, as camas que serviam de pula-pula…são substituídos por uma casa impecavelmente arrumada e um silêncio extraordinário, outrora tão almejados, mas que no momento passa a ser questionado. Até que ponto esta fase da infância com os filhos foi bem aproveitada ou tomada por pequenas neuroses humanas, nomeadamente, mania de limpeza, ordem, arrumação e exigências que subtraíram o precioso tempo de curtição em família?

A síndrome do ninho vazio como qualquer síndrome tem um fundo psicológico. Apesar da dor, isto não é doença. Ocorre com muita frequência e principalmente com mulheres que não desenvolveram outros papéis, fixaram-se unicamente no papel de mãe.

Mas será que esse vazio passa? O que fazer para suprir essa falta? O que aconteceu na dinâmica dessas famílias que centralizaram a atenção exclusivamente sobre os filhos? O que está faltando para esses casais?

É preciso uma reflexão sobre os papéis que desempenhamos na vida.

Há muita coisa para ser planejada, muita vida pela frente e os pais não podem esquecer que primeiramente são esposo e esposa, e até muito antes disso, homem e mulher.

É necessário buscar a individualidade de cada um dentro do núcleo familiar. Isto é super importante para que todos tenham uma identidade própria como indivíduo, sem se apoiar e depositar seus desejos no outro. Com os papéis estabelecidos, os vínculos fortalecidos e os espaços respeitados, é possível pais e filhos crescerem juntos. Assim, aprendem a curtir com prazer o caminho que os levam a uma vida saudável e feliz. Com essa família forte, o ninho jamais ficará vazio.

Uma boa estrutura familiar permite que os filhos saiam de casa, mas da mesma forma permite que eles se sintam acolhidos e encontrem espaço sempre que quiser ou precisar voltar. O filho que já sabe que é amado por seus pais, precisa testar se também poderá ser amado pelo mundo, e para tanto precisa desprender-se da mãe. Faz parte do seu processo de individuação.

Outro aspecto relevante é que mesmo os pais sendo felizes com os filhos, o casamento pode melhorar quando eles saem de casa. É um momento oportuno para o casal (re)conhecer um ao outro e antes disso, reconhecer-se a si mesmo, descobrir-se (como homem e mulher) e (re)aprender a viver juntos e sozinhos. É o momento do recomeço, de (re)aquecer a chama do casamento. É importante que ambos procurem resgatar o que gostavam de fazer anteriormente à vinda dos filhos, transitando em seus diferentes papéis sem se fixar num só. A mulher também não pode se esquecer de que também para o marido, a síndrome do ninho vazio pode se fazer presente.

Ninguém pode viver em função de seus filhos como se o casamento só existisse na presença deles. Constatar que se vive para os outros e não com os outros não é saudável para o casal. Como diz o velho ditado “criam-se os filhos para o mundo”. Eles não são propriedades de ninguém, mas às vezes é difícil de aceitar. Os filhos também sofrem com isso, mas eles só vão entender quando assumirem papéis de pais.

Para evitar todo esse drama é fundamental que a mãe perceba que não é necessário manter vínculos de apego para ser uma pessoa inteira e que embora os filhos cresçam o amor não diminui, somente a forma de demonstrá-lo é que mudou. Aliás vive-se em constante transformação. De definitivo e eterno somente os pais, os filhos e o amor que os envolve.

É importante que os pais não parem a sua caminhada e consigam redescobrir o prazer nos diferentes papéis. Pais e filhos são cúmplices na aprendizagem, na descoberta da vida. Companheiros e amigos nas transformações, jamais proprietários.

Transtornos de Personalidade – Artigo I

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Profª Dra. Cleomar Landim de Oliveira

  1. História dos Transtornos de Personalidade

Os tipos e transtornos de personalidade têm sido descritos há muitos anos, ilustrados na descrição dos quatro temperamentos hipocráticos: o melancólico pessimista, o sanguíneo otimista, o colérico irritável e o flegmático apático. Observa-se que no início a teoria grega destes quatro temperamentos, determinada pela proporção relativa de quatro humores corporais (biles negra, sangue, biles amarela fleuma), que já refletia os atuais intentos por descobrir as bases biogenéticas da personalidade.

No início do século XIX, psiquiatras como Pinel, Esquirol, Rush e Pritchard descreveram os tipos de personalidade socialmente inadaptados em situações clínicas. Começando o século XX,foram descobertos tipos mais específicos de personalidade; Janet(1901) e Freud(Breuler e Freud 1893-1895/1957)definiram os traços psicológicos associados com a histeria,o percursor do transtorno histriônico da personalidade. Na teoria psicanalítica instintos primários, Abraham propôs que a detenção em algum dos três estádios psicosexuais do desenvolvimento infantil (as fases oral, anal e fálica) levava ao desenvolvimento dos tipos de caráter dependente, obsessivo-compulsivo e histérico, respectivamente. Evidentemente este ponto de vista mudou quando a teoria dos instintos primários e o modelo psicológico do EU da teoria psicanalítica foi substituída pela teoria das relações objetais,a qual propõe que a personalidade se forma na primeira infância a partir das relações parentais.Os riscos da personalidade do tipo dependente derivam da privação parental,os riscos obsessivo-compulsivo da luta pelo poder com a figura paterna,os riscos histéricos, sobrevém em parte,da sedução e rivalidade com os pais.Os conceitos de transtorno limite e narcisista da personalidade também se desenvolvem a partir da teoria das relações objetais.

Na década de 1920 os fenomenólogos alemães Kraepelin(1921) e Kretschmer (1925)descobriram os tipos da personalidade em termos de conceito de espectro(teoria na qual os tipos de personalidade estão relacionados biogeneticamente com a variação das psicoses paranóides e afetivas que atualmente se considerariam transtorno do Eixo I).

Estes tipos do espectro da personalidade foram os antecedentes dos atuais transtornos paranóides, esquizotímico, ciclo tímico e depressivo da personalidade. Entretanto Schneider (1958),também fenomenólogo alemão considerava que os transtornos da personalidade representavam desvios sociais e variáveis extremas de traços normais da personalidade. Favorecendo do desenvolvimento do primeiro sistema amplo de categorias dos transtornos da personalidade, proporcionando para muitos dos transtornos contemplados na 10ª revisão da Classificação Estatística Internacional de Enfermidades (CIE-10 em 1992) e na DSM-IV.

Os transtornos da personalidade estão incluídos em todas as versões da DSM, mas apenas os transtornos paranoide, obsessivo-compulsivo (TOC) e anti-social foram mantidos de modo estável na DSM. (Algumas categorias atuais (por exemplo, o transtorno da personalidade limite) foram mantidas em edições posteriores, enquanto outras (por exemplo, o transtorno da personalidade por inadequação) foram eliminadas). Com o tempo  as categorias DSM em relação aos transtornos da personalidade teve mudanças.

Em 1952 foi publicado a DSM-I onde definia os transtornos da personalidade não como padrão crônico e estável, mas como desvios que não funcionavam corretamente, com situações estressantes e que produziam um comportamento inflexível e inadaptável. O DSM-II (1968) afirmava que os transtornos da personalidade incluíam não só uma conduta socialmente desviada, mas também indisposição indefinida e deterioração do funcionamento.

A DSM-III fez várias mudanças, relevantes na conceptualização e classificação dos transtornos da personalidade. Afastou-se da orientação psicanalítica e buscou um enfoque ateórico e descritivo.Agregaram critérios diagnósticos específicos,e os transtornos da personalidade foram para um Eixo separado para ressaltar a importância  de seu diagnóstico.

Na DSM-III-R e na DSM-IV trataram de aumentar a validade das categorias do transtorno da personalidade incorporando os dados gerados na crescente literatura empírica. Ainda que as descrições atuais da DSM procurem representar uma síntese ótima entre a tradição clínica e os achados empíricos, provavelmente continuaram evoluindo com o tempo, à medida que aumente nossa compreensão acerca destes transtornos.

Bibliografia

-BECK,Aaron T; FREEMAN, Arthur:DAVIS,Denise

Emagreça com a Psicologia Cognitivo Comportamental

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Programa de seis semanas.

Entre em contato para maiores informações.

Adolescência sim… Aborrecência não!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Adolescência sim… Aborrecência não!

Mônica Hoehne Mendes – Ms em psicologia

 O que é adolescência?

Falar sobre adolescência é sempre um desafio, pois é falar de algo que em muitos momentos é um enigma. Vejo a adolescência como um período da vida do ser humano, constituído de momentos difíceis  e desafiadores, não só para  quem o vive, como para quem está à sua volta.

É um período marcado por mudanças biológicas e consequentemente emocionais. Caracteriza-se por um esforço vigoroso para crescer, com frequentes impulsos para o agir e encarar a realidade; é a busca da independência. É um processo de adaptação a realidade e domínio do ambiente. O adolescente oscila entre o passado e o futuro, isto é, entre a infância e a fase adulta, pois enquanto apresenta comportamentos, muitas vezes infantis, tem  aspirações de autonomia e independência, que ele acredita serem próprias de um ser adulto.

Enquanto processo psíquico, é algo que se dá no grupo, pois é aí onde ocorrem certos fenômenos simbólicos. Nesta fase, acontecem as identificações do adolescente, que não se dão apenas em relação à figura do pai ou da mãe (como eles gostariam), mas em relação aos  vários personagens com quem ele interage em seu dia-a-dia.

Os limites da adolescência não são fixos, pois até um tempo atrás os médicos e psicólogos definiam como um período que iniciava-se por volta dos 11,12 anos e estendia-se até os 18, 19 anos, entretanto nos dias atuais parece iniciar-se cada vez mais cedo e prolongar-se cada vez mais. As meninas começam a revelar interesse pelo sexo oposto muito antes do que a idade prevista anteriormente, abandonam a boneca mais cedo, os meninos desde pequenos passam a se preocupar com as roupas que devem usar, para estarem de acordo com o grupo, já que este passa a ser sua referência. Alguns conflitos da infância são revividos agora: o menino cobra que o pai não o levou àquele final de campeonato que ele tanto queria ver, a menina lembra da sandália da Xuxa que não lhe compraram, e assim por diante.

Temos que nos dar conta de que a adolescência é um fenômeno contemporâneo e próprio da cultura ocidental; se percorrermos a história de diferentes civilizações, veremos que em algumas delas este período de vida dura muito pouco, às vezes apenas o lapso de um rito de iniciação. Creio que este processo passou a ter maior ênfase na década de 50, quando nos Estados Unidos surgiu o rock and roll, o qual é um fenômeno grupal, de ordem estética, cultural, política. Sua origem é decididamente uma produção de grupos adolescentes.

Vamos  falar da importância do grupo, dos amigos…

Costuma-se dizer que é na adolescência que se forma a personalidade do indivíduo, porque é a partir da convivência não só com adultos, mas também outras pessoas da mesma idade,  que irão ocorrendo as identificações, como mencionamos anteriormente. São as manifestações de comportamento mais fortes para o adolescente que irão marcar sua vida e então passar a influenciar suas atitudes e sua maneira de pensar.

Suas fontes de inspiração podem variar do amigo da escola que é um líder (positivo ou negativo!), um jogador de futebol ou de basquete, um cantor, um professor e até mesmo o pai ou a mãe. Estas diferentes matrizes, vão gerar uma mescla identificatória para o nosso querido personagem ë o adolescente!

Tenho visto muitas mães e pais com dificuldades em lidar com seus filhos, em função de não conseguir dar limites a eles, não sabem dar um modelo de disciplina, de respeito. Obviamente que esses pais não serão os ídolos de seus filhos! O ídolo é aquele que “impressiona” pelas suas ações: de enfrentamento, de coragem, de ousadia, de firmeza.

 Vamos pensar por exemplo no jogador de futebol, enquanto ídolo; quem é ele? O que faz? Ou melhor o que ele fez para chegar aí? Se buscarmos exemplos em nossa realidade futebolística, encontraremos vários jogadores que venceram muitas dificuldades, pois em geral vêm de famílias pobres, têm pouca escolaridade, e hoje estão se tornando celebridades! São conhecidos e o que é mais importante reconhecidos pelo mundo todo pela sua competência, pela coragem de enfrentar uma série de dificuldades e sacrifícios e alguns são admirados até mesmo pela sua irreverência e arrogância ao lado de sua performance!

Bem se compararmos esse ídolo com aquele pai que não consegue ter coragem para “conversar” com seu filho sobre os conflitos próprios desse momento, que às vezes podem ser uma divergência de valores entre esta família e o grupo de amigos com quem o menino  está convivendo.   

A  convivência com as leis, com as regras…

A situação que o adolescente mais questiona é a necessidade de obedecer regras, que em geral estão subordinadas às leis. Por que?

Na verdade a lei impõe limites, nos diz o que podemos  e o que não podemos fazer, elas têm um caráter histórico, porque nascem de uma necessidade surgida no grupo social. A lei é para todos! E como se define quando fazemos o que não podemos fazer? É a transgressão da lei e o adolescente adora transgredir!

As leis são impostas  por uma autoridade e não construídas pelo grupo e é a autoridade maior que define o peso maior ou menor de uma transgressão. Elas são conservadoras pois pretendem manter a tradição e eliminar as ameaças que visam a desestabilização  do status quo. A obediência às leis nos dá um retrato do aspecto moral de uma pessoa; é a moral que nos ensina a fazer o que é certo.

E as regras, são mais ou menos agradáveis do que as leis? Bem, creio que é mais fácil lidar com estas,  pois elas são construídas nos grupos e por isso mais fácil de serem obedecidas e ao serem transgredidas geram uma sensação de desconforto. Todo adolescente ao entrar num grupo, logo procura se inteirar das regras vigentes no mesmo, para poder se integrar mais rapidamente no mesmo. É por esta razão, que temos tantos jovens envolvidos com drogas!

O lado positivo das regras, é que  elas podem modificar-se, de acordo com as necessidades do grupo, já que elas servem para organizar melhor as relações das pessoas. São elas as responsáveis pelo comportamento ético.

O que leva os nossos adolescentes reagirem às algumas regras dentro do contexto familiar e escolar é o fato de que muitos pais e profissionais da escola, transformam suas regras em leis, o que as torna impostas e alheias às necessidades dos jovens que convivem nesses espaços. Porém, para as crianças a obediência às regras têm um valor moral, por elas serem construídas dentro de seus grupos, atendendo a uma necessidade de organização entre eles.

Por outro lado, o adolescente provoca o adulto para obter respostas, ganhar limites e poder se estruturar. É por esta razão, que os adultos que convivem com estes jovens, necessitam constantemente objetivar tanto para eles, quanto para si próprio seus valores de vida, seu código ético e moral.

O adolescente precisa sentir claramente a linha divisória entre ele e o adulto.

O mundo (interno) do adolescente…

Por que ficar tanto tempo trancado em seu quarto?

Todas as vezes que vivencia situações de inadequação e insucesso, advém  o sentimento de fracasso e em seguida refugia-se em “seu mundo”. Pelas dificuldades em adaptar-se às exigências do mundo adulto, o adolescente cria linguagens peculiares, de tal forma que passa a constituir espaços próprios, onde têm o domínio e assim demonstram seu descaso pela linguagem do mundo adulto. Nessa mesma linha, segue as questões ligadas a vestuário, maneiras de comportar-se, enfrentamento a regras e normas (tais como não gostar de estudar) em busca de originalidade e liberdade idealizadas .

Além do mais, nosso adolescente aprende rapidamente a se relacionar com imagens, mensagens, ideais que são tão primários (ou tão básicos, como dizem eles) quanto é o pai, a mãe, os irmãos. O grande veículo para isto é a TV, a Internet e eventualmente algum tipo de revista, qualquer um destes aparatos estão à disposição dele em casa, como uma figura familiar, com a qual ele pode relacionar-se diretamente e independentemente do pai ou da mãe.

Ao nos referirmos à forma de vestir-se do jovem, vemos aí uma tentativa ou até mesmo uma necessidade de disfarçar-se, de mascarar-se, pois além da forma bizarra de vestir-se, encontramos as tatuagens, os piercens, o cabelo pintado. Sua  atração pelo disfarce pode ser entendida como uma maneira  de tentar ser outro, o que faz parte desse processo de adolescer, ou seja, não se pode pensar nessa fase, se o desejo de ser outro, não pode circular e fazer parte de seu cotidiano.

Quando o adolescente se fecha em seu quarto, os pais geralmente, ficam muito preocupados, por acreditarem que ele está se isolando da família e do grupo de amigos. Porém, o que há dentro do quarto de um adolescente? Além de sua cama, que representa um ninho ou um colo acolhedor, há um aparelho de som, uma TV, seus CDs, um computador, posters colados a parede onde estão estampados seus ídolos (imagens identificatórias). Portanto, vemos que este quarto está  repleto de objetos que representam “o outro”, e poderíamos dizer o grupo, além do que atualmente a comunicação com o mundo exterior é feita pelo telefone e pela internet, instrumentos com os quais o adolescente é capaz de passar horas ininterruptas.

 Se pudermos entender esses signos, aos quais o adolescente procura se apegar, teremos uma melhor compreensão dos conflitos, dos desejos e expectativas vividos por ele. O adulto que procura ser companheiro desse jovem, tem a possibilidade de abrir um espaço de conversação, para que as ansiedades e anseios sejam exteriorizados e de alguma forma atendidos, talvez não concretamente, mas em forma de acolhimento e escuta.

A escola, que espaço é este?

Quase todos os pais têm a expectativa de seus filhos seja “bons alunos”, pois isto é sinônimo de que eles são inteligentes e foram bem preparados (por eles: pais) para uma vida acadêmica. Porém, esta fantasia nem sempre se realiza!

Geralmente, ao serem chamados pela escola e tomarem conhecimento das dificuldades que seus filhos estão apresentando em alguma(s) disciplina(s), os pais vivenciam uma sensação de fracasso. Este sentimento é decorrente de um pensamento (ainda que inconsciente) de que fizeram alguma coisa errada, no processo de educação de seus filhos.

Antes de pensarmos em como a família pode interferir no processo de aprendizagem dos filhos, vamos refletir sobre o que está se passando com este (jovem) sujeito, que está apresentando dificuldades com alguma disciplina ou de indisciplina.

 Já vimos anteriormente, que do ponto de vista orgânico estão ocorrendo transformações que muitas vezes lhe assusta, pois desconhece o que advirá na fase seguinte dessa mudança. Além disso, seus interesses também estão se modificando: o grupo tem uma conotação diferente…

O Desejo de Crescer e o Desejo de Aprender

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Profa. Dra. Cleomar Landim de Oliveira

Constatamos que muito do equilíbrio da saúde psicológica da criança acontece no primeiro ano de vida, funcionando como base, verdadeiro alicerce desta evolução afetiva. Estas experiências emocionais agem como modeladoras e é aí que se assentam precocemente os jogos de forças básicas amor x ódio x conhecimento, prazer x desprazer,/ realidade x fantasia. Portanto, não é difícil começar cedo a estabelecer as primeiras linhas interativas destas fases de desenvolvimento com os quadros patológicos, sobretudo com os que estão intimamente ligados a um grau de funcionamento de núcleos predominantemente orais: os quadros psicóticos, a depressão precoce e alguns equivalentes psicossomáticos.

Quando se estabelece, por déficit, na sua linha evolutiva estagnada neste funcionamento ainda arcaico, a criança não conseguirá libertar-se das angústias paranóides, terá dificuldade em distinguir-se de modo claro na relação sujeito / objeto (individuação ou separação) e funcionará primariamente num registro de “sem limite,” onde as clivagens essenciais são omissas.

Embora grande número de quadros co estas características possa ser precocemente detectado antes da entrada para a Escola, não é o que acontece na prática. E apesar da gravidade e da obrigatoriedade de interação rápida, prolongada e intensa muitas destas crianças conseguem erguer um funcionamento minimamente adequado, de extrema fragilidade,que lhes permite,a grosso modo,passar despercebidas,sobretudo quando assentam em quadros desarmônicos.

Contudo, com a inserção escolar e consequentemente com as exigências cumprimentos de atividades as quais necessitam de uma base estrutural psíquica, mínima, sobrevém a dificuldade de se manter neste estado de “aparente normalidade, propiciando a eclosão de uma sintomatologia intensa. E é isto que vem acontecendo. Recebemos diariamente crianças que são encaminhadas pela escola cujas queixas são: fulano tem um comportamento diferente,permanece isolado, não se relaciona com os coleguinhas…tem atraso de linguagem.

A escola pode dinamizar por meio de atividades criativas, simbólicas… Contudo ela está preocupada com os conteúdos, com as atividades sistemáticas… E a vivencia essencial, as quais  poderia permitir o uso de mecanismos de defesa mais ajustados,como por exemplo a sublimação, a qual nos permite pensar que  a energia colocada em determinado conflito poderia ser colocada em determinado conflito poderia der deslocada para outra zona,com resultados construtivos e reparadores, não só do “eu” da criança,mas do outro,não acontece.

Outro ponto importante é que pela frustração adequada da “Mãe boa” que acalanta e embala (o “holding” físico e psicológico), a criança vai reconhecendo cada vez mais os seus próprios limites e estabelece então a primeira separação eu x não eu,pela construção de uma verdadeira pele psíquica. Esta distinção é essencial para a futura relação com as coisas; ganha-se noção de distância,  de um espaço,submetendo o desejo e a sua satisfação imediata à sua alucinação e como conseqüência à transformação: surgindo a atividade simbólica. Sobrevém então um espaço de transição em meio ao interior e ao exterior, cujo objetivo é a adequação entre essas duas realidades, de um modo indolor.

 

Penso que esta é essência da construção do aparelho de pensar os pensamentos: a transformação do espaço entre p desejo e a satisfação: “se não,represento,simbolizo e penso” logo antes de ir para Escola, a criança tem a necessidade de “aprender” a crescer neste Mundo simbólico: nesta fase, teremos a Educação Infantil que é de grande interesse. O jogo,o grafismo,as atividades corporais são atividades de transição; a professora com a incumbência de minimizar o choque entre os dois Mundos, verdadeiro elo de ligação, tal como a mãe havia sido anteriormente. A comunicação neste momento será muito simples: a relação corporal, também usada como técnica da “Maternagem”, e aplicada em psicoterapia em crianças com patologias precoces e /ou muito regressivas.

Estamos realmente preocupadas com o ensino pré-escolar, chamado agora de Educação Infantil, que tem modificado sua linha de trabalho, de investimentos e de objetivos e de ação, privilegiando as atividades de cunho escolar, em detrimento das outras mais básicas que acima nos referimos e que é importante desenvolverem.

A problemática fica mais importante quanto mais a situarmos na realidade dos grandes centros, nos quais o manancial das atividades simbólicas dilui frente às dificuldades do dia a dia, da desagregação familiar, do trabalho feminino, da falta de parques infantis e de diversões destinadas a esta faixa etária.É sabido também que grande parte da disponibilidade parental está perdida, independentemente dos seus fatores; estão também enfraquecidos os elos clássicos dos vínculos sociais mais antigos,as crianças de hoje são precocemente deixadas ao acaso de um sistema onde “as pessoas não gostam de se envolver”…

Esta situação permite seguramente uma maior autonomia, sobretudo marcada pela oposição.

A linguagem começa a desenvolver-se, e o “não” será entendido aqui como um marco evolutivo,porque com certeza ele exprime uma espécie de confirmação do próprio, por oposição do outro.

Temos ainda nesta fase outro dado de suma importância: o controle dos esfíncteres, que lhe dá a noção de que tem algo que é seu que pode comandar e manipular a seu modo, usando-o como conteúdo simbólico de quem já sabe que agora poderá guardar, reter, esconder/ter dentro/fora, e assim continua a estruturação de clivagem essenciais. Fase esta que costumamos chamar de fase anal.

É no período desta fase, que se estabelece a organização cada vez mais segura de um  “eu” ou “meu”. Não temos dúvida que constitui a base de um narcisismo que pode, estabelecer-se na moldura de uma auto – imagem. O que é importante neste momento é a quantidade de energia investida, muito mais do que o objeto em si ou suas qualidades. É no transcurso desta fase que se assentarão outros alicerces que deverão ser construídos. As falhas na analidade podem levar a patologias graves como, por exemplo, o nível depressivo primário.

E sem esta consistência segura de uma “boa analidade” será difícil a criança aprender na Escola. Incapaz de controlar e controlar-se, de reter, de se opor para se afirmar, “desinvestida do seu espaço contentor próprio, ergue-se-á numa estrutura em permanente de depleção”

(in Pedro Strecht- 1995) como se fora um tubo contínuo, o qual ocorre o risco de ficar vazio, pela incapacidade de controlar conteúdos internos x internos.

A criança estruturada desta forma, escoaria grande parte dos conhecimentos adquiridos na escola como a água de uma torneira num funil…

Quando a analidade se faz de um modo dito normal, a criança fará investida para medir suas possibilidades, limites (são as “birras” das crianças pequenas). Os conflitos anais poderão aparecer mais tarde como  enurese, encoprese, comportamentos onipotentes,de risco ou de provocação (fontes básicas de futuras neuroses). Certas defesas, entre as quais destacamos as ligadas a respostas obsessivas, nesta fase, são de caráter essencial: o gosto pela organização, as regras, a limpeza, o prazer de ganhar, mandar, e vão servir de base às futuras defesas, as quais serão usadas na fase de latência.

A diferença anatômica entre os sexos constitui neste processo a fase fálica.

Constitui para os dois sexos a confirmação narcísica de um poder. Nas falhas, poder-se-ão estruturar um outro nível depressivo, a depressão fálica. Este poder é atribuído ao esforço narcísico resultantes dos conflitos da fase edipiana, que a criança dentro da faixa de normalidade acontece entre os três e os cinco anos.

Neste nível movida pela curiosidade em descobrir o que acontece entre o Pai e Mãe, a criança movimenta-se numa relação triangular, na qual um dos participantes ficará fora da situação dual idealizada. O pai aparece como aquele que corta uma possível relação simbólica; simbolicamente desempenhando o papel de “terceiro” e isto representará a “questão fulcral para a função paterna que a escola, que a rua, a cultura representarão” (in Pedro Strecht).

Antes de entrar para a escola a criança deverá estar resolvida nesta última etapa fulcral e entra na fase da latência que é o terreno básico para iniciação à aprendizagem escolar.

A criança encerra este capítulo de grande intensidade e crescimento psíquico interior e canaliza sua energia psíquica para os interesses do mundo exterior. Ela passou do interesse de desejar saber como os bebês nascem, para o desejo de descobrir, de conhecer o que se passa  com os animais,com a natureza,etc.

Os usos dos mecanismos de defesa, como o relacionamento e a sublimação, é que permitirá de maneira frutífera o acesso à curiosidade por tudo que a rodeia. A escola que tem início justamente nesse nível do desenvolvimento afetivo, aparecerá como um meio estruturante essencial no qual a criança busca e deseja apoio para satisfazer a sua curiosidade pelo conhecimento potencialmente inesgotável. È a etapa mais produtiva no campo do saber, e por isso as primeiras experiências escolares representarão tanto, não apenas pelo que valem diretamente, mas, sobretudo, pelo que indiretamente permitem construir em termos de futuro.

Estes aspectos do desenvolvimento infantil aqui levantados são básicos para aprendizagem ou de  “sucesso” na escola.

E ao olharmos uma criança com transtornos de aprendizagem, temos que estar conscientes destes fatores, para termos uma escuta adequada às necessidades reais da criança afim de que possa ser compreendida e auxiliada, se necessário, para que possa alcançar vôo e manter seu desejo de crescer.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGÁFICAS

SOUSA, Audrey Setton Lopes – Pensando a Inibição Intelectual – Perspectiva Psicanalítica e Proposta Diagnostica, São Paulo: Editora Casa do Psicólogo,1995

O Grafismo no Enfoque Psicopedagógico – Da Letra a Palavra

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Profa. Dra Cleomar Oliveira

A escrita é uma forma de manifestação lingüística humana que supõe uma comunicação simbólica por meio de um código diferenciado segundo as culturas. Este código não é figurativo, é um código simbólico.

Segundo Ajuriaguerra (1980, p.125) ”a escrita é uma forma de expressão da linguagem que implica em uma combinação simbólica”.

A escrita pode manifestar-se sob três formas:

- Escrita copiada que constitui o método de aprendizagem inicial e requer uma adequada destreza grafomotora e perceptiva e uma memória visual suficiente;

- Ditada a qual requer uma boa capacidade de memória auditiva e, ao mesmo tempo internalização prévia dos grafemas e sua correspondente relação fonemática. Intervém ainda a capacidade de seqüenciar ou ordenar os estímulos auditivos que através de uma representação mental,  irão se transformar em linguagem escrita;

-Escrita espontânea processo de maior complexidade, pois não está presente nem o modelo visual Enem o modelo auditivo a ser reproduzido e exige uma boa linguagem interior da criança.

Segundo Zazzo (1968, p.41) ”todo traço executado é o prolongamento de um gesto e, portanto o rastro possível de um movimento”. Para que isto aconteça é necessário um rol primordial de desenvolvimento da função gráfica. Como conseqüência a escrita correta implica no respeito a boa forma da letra e de suas relações, que vinculadas a precisão do traço evidencia as características do seu movimento indutor. Revelando assim a dependência da função gráfica a integridade do desenvolvimento.

As condições necessárias para o início do ensino da escrita, apóiam-se no seguinte:

- desenvolvimento suficiente da inteligência;

- adequado desenvolvimento sócio-afetivo, é importante para que o sistema nervoso se mielinize desde a gestação até adolescência. Requer ainda para um adequado desenvolvimento das suas estruturas, um bom estado de estimulação ambiental;

- adequado desenvolvimento sensório-motor:

.integração sensorial (visual e auditiva) correta;

.ausência de transtornos motores intensos;

.desenvolvimento suficiente da estruturação do espaço temporal;

.destreza motora para apreensão do lápis;

.motricidade global, sem transtornos importantes que afetem a coordenação, velocidade ou equilíbrio;

.motricidade manual sem perturbações importantes;

.não apresentar transtornos neurológicos que por sua intensidade impeçam uma adequada fixação (transtornos de atenção,agnosias ou apraxias graves);

.lateralidade definida.

Deficiências e alterações dos processos integradores da função gráfica

(é a parte da totalidade que o ato motor de escrever, e ao qual se põe em jogo, um complexo processo psicomotor de escrever, no qual participam importantes componentes de diversos caracteres. Estes interagem na regulação do movimento correto que produzem os traços claros e legíveis da escrita normal) provocam modificações na qualidade da letra que conformam uma sintomatologia disgráfica. Estas podem prejudicar totalmente a compreensão da escrita como também levar a graves alterações, não permitindo a leitura, caracterizando-se então em uma ‘franca disgrafia’ ou em uma ‘dispraxia específica da escrita’.

Imagem Mental da Letra

Vin Bang em sua análise da escrita considera como valor prioritário, a existência da reprodução mental da forma de letra ou a imagem internalizada da mesma, que atua no momento da escrita, como matriz sobre a qual gesta a grafia.

Através da nossa experiência comprovamos a conveniência de dar conteúdo à forma, associando seu som e nome ao movimento do traço que representa. Desta forma a imagem mental desta letra ficará organizada sobre padrões que devem associar-se acoplando-se ao movimento de escrita. Temos três padrões que são específicos para cada letra:

 - Padrão Visual: estabelecido sobre a percepção visual. É o que permite a identificação da forma da letra isolada ou entre outras;

- Padrão Auditivo: que estabelece sobre a percepção auditiva e ortoga a identificação do som que lhe corresponde e ao seu nome específico;

- Padrão Cinestésico ou Motor:  que  emerge da tomada de consciência do movimento que consiste o traçado da letra.

Quando a imagem mental da letra é vaga, difusa ou alterada aparecem erros na escrita espontânea. Quando as dificuldades residem na identificação do fonema correspondente, o erro aparece no ditado. Quando os equívocos se produzem durante a cópia, a perturbação reside no padrão visual não reconhecido ou na área perceptivo-visual onde sua memória imediata de translação é demasiadamente breve ou frágil. E, qualquer das circunstâncias mencionadas, põe-se em evidencia as dificuldades na apreensão, dos estímulos, através das vias percepto sensório-motoras e seu posterior processamento. Estes integram a pluralidade do circuito visual-auditivo e cinestésico, posto em jogo, durante o ato de escrever. Sua diferente apreensão origina alterações na imagem mental da letra em conseqüência na estrutura anômala da letra e da palavra. As dúvidas da criança fazem com que se modifique a forma das letras suprimindo ou agregando rasuras, eliminando enlaces ou sustendo uma letra sobre a outra, que se admite parecida. É freqüente usar: n por m; r por s; a por o; l por b; g por q ou vice versa.

A repetição diária deste procedimento deixa inacabada a memória motora da escrita. Através da destes erros, fixa e mecaniza-os, e até o final do 4ª ano do primeiro grau, pode-se conformar uma escrita atípica, nada convencional, com  diferentes graduações de alterações no traçado, chegando a impedir a compreensão do escrito Quando isto acontece, a escrita deixa de cumprir seu papel de linguagem comunicante e já não tem valor como código decifrável, e pode-se considerar instalada a ‘disgrafia’.

É a partir daí que se deve reverter as condutas anômalas, iniciando-se uma complexa e progressiva intervenção psicopedagógica. Esta abarcará a multiplicidade dos processos integradores da função gráfica, que precedem de fatores do desenvolvimento, para logo se chegar especificamente à regulação da letra.

Processos Integradores da Função Gráfica

Contamos com: 1) Fatores de compromisso tônico: evoluem da atividade tônica global: - Tônus de base equilibrado e capacidade para modulá-lo, segundo as exigências da ação;

 Elasticidade para a troca contínua da qualidade tônica dos movimentos breves dos dedos, durante o traçado das letras;

Posição do Corpo sentado e a manutenção da posição (controle inibitório);

Postura de braços e mãos e seus movimentos;

Pressão correta do lápis sobre o papel;

Preensão correta do instrumento (pinça completa);

Domínio da musculatura ocular durante a fixação (focalização) e do deslocamento do olhar (leitura);

 Controle Visual com elasticidade no movimento da mão co permanência estável na cópia em seguimento contínuo.

                            2) Fatores Evolutivos: previstos pelos níveis de desenvolvimento:

- Dominância lateral de mão estabelecida sem dúvida aos 6 (seis) anos;

- Dissociação controlateral de membros superiores, homolateral de ombros e braços; braço e mão; dedos entre si e capacidade de giro do punho. Vai permitir o controle voluntário dos movimentos e a precisão do gesto.

                            3) Fatores Psíquicos transtornos transitórios como crises de desenvolvimento,provocando alterações da escrita ocasionais ou permanentes.

                            4) Fatores dinâmicos  com base na integração tônica e neuromuscular:

- Coordenação viso-motora  ajuste dos padrões de deslocamento visual sobre os padrões cinéticos de deslocamento da mão. A coincidência de ambos produz o guia visual correto do movimento da mão, necessário à tarefa escolar. Se põe em jogo durante o traçado e a ordenação das letras, nas atividades de coordenação fina, como desenhos,recortes,pinturas,etc.;

- Ritmo depende da integração neuromuscular, da regulação e da mobilidade tônica. É um fator primordial para a repetição e continuidade do movimento.

                            5) Fatores Psicofuncionais  abordados pelos processos psíquicos e inteligentes que participam na aprendizagem com predomínio das representações mentais, que atuam na dinâmica cerebral:

- Organização Espaço-Temporal compreende as localizações, direções, coordenadas e relações nos três níveis do espaço: subjetivo, objetivo e gráfico onde sucede a escrita;

- Esquema Corporal das Mãos com a representação mental das mãos, suas formas e constituições, suas gnosias e movimentos específicos, facilitam o manejo e capacita a aquisição de habilidades. Facilitam a execução da ordem mental.

Imagem Mental da Letra – durante a aprendizagem se gesta a representação mental de cada letra e ainda os padrões visuais, auditivos, auditivos e motores que lhe são próprios, se organizam por via do padrão auditivo visual e mistos que atuam simultaneamente dando uma representação única à forma, som, nome e movimentos inscritos, que é próprio de cada letra.

Quando alguns destes padrões estão imperfeitos ou débeis, incidirá na confusão de fonemas ou letras com formas parecidas ou na imprecisão do traçado. Portanto é imprescindível que a criança alcance um nível de desenvolvimento psicomotor suficiente para sustentar as exigências da aprendizagem e seus registros escritos. Para poder manejar o traçado circunscrito a um pequeno território espacial, ela deverá possuir ganhos anteriores que derivam de processos globais da totalidade do corpo, referentes a equilibração correta do lápis,controle visual sobre o modelo e sobre sua mão que deve guiar o traçado,manejo correto do espaço pleno, diferenciação das formas,discriminação dos sons entre tantas outras condutas inerentes e imprescindíveis para poder se chegar à escrita.

Bibliografia

COSTALLAT, Dalila M.M.de  – A Psicomotricidade Otimizando as Relações Humanas Editora Arte e Ciência,São Paulo,2000

FERREIRO, Emilia & TEBEROSKY, Ana  – Psicogênese da Língua Escrita ArtMed Editora,Porto Alegre,1999

GATÉ, Jean-Pierre Educar par o Sentido da Escrita- Edusc, Bauru Estado de São Paulo, 2001

SANTOS, Maria Thereza Mazorra dos & NAVAS, Ana Luiza G.P. – Distúrbios de Leitura e Escrita Teoria e Prática  Editora Manole Ltda São Paulo,2002

São Paulo, 26 de setembro de 2010

SAÚDE MENTAL E TRABALHO por Solange Brigido

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Vive-se uma época de crise mundial, de transformações econômica, social e política. Na luta pela sobrevivência e realização profissional, observa-se cada vez mais uma centralidade do trabalho na vida dos trabalhadores, em detrimento do tempo de lazer. Além disso, novas formas de organização do trabalho, novas tecnologias e a precarização do mesmo, trazem o temor do desemprego e a intensificação do trabalho. São situações que podem favorecer a saúde ou a doença.

Analisando a inter-relação entre saúde mental e trabalho, há dois aspectos consideráveis: o estresse e os distúrbios psíquicos.

 É importante levar em conta o papel da organização do trabalho relacionado aos efeitos negativos ou positivos que esta possa exercer sobre o funcionamento psíquico e a vida mental do trabalhador.

 Entende-se por organização do trabalho a divisão das tarefas e a divisão dos homens. A divisão das tarefas envolve o conteúdo das tarefas, o modo operatório e tudo que é determinado pela organização do trabalho. A divisão dos homens compreende a forma pela qual as pessoas são divididas em uma empresa e as relações humanas que aí se estabelecem. Nesse aspecto, deve-se ter ainda em atenção que nem sempre a organização do trabalho formalizada pela empresa, coincide com a organização do trabalho real, ou seja, com o modo operatório dos trabalhadores. Segundo o psicanalista e psiquiatra C. Dejours, o descompasso entre as duas favoreceria o aparecimento do sofrimento mental, uma vez que levaria o trabalhador à necessidade de transgredir para poder executar a tarefa.

 Em se tratando do estresse, pode ser concebido como um desequilíbrio entre as demandas do trabalho e a capacidade de resposta dos trabalhadores. Jornadas extensas e horas-extras, excesso de trabalho, pressão por produção, metas irreais e sempre crescentes a cumprir, gestão inadequada (por ex. remanejamento para função incompatível às características de personalidade); são alguns problemas relacionados à organização do trabalho e portanto, potencialmente estressantes. Quantos já não passaram por isto? E como desenvolver uma vida saudável no trabalho?

 A situação saudável de trabalho seria aquela que permitisse o desenvolvimento do indivíduo, alternando exigências e períodos de repouso com o controle do trabalhador sobre o processo de trabalho. Não se trata de idealismo, mas uma necessidade vital para a saúde do trabalhador.

 Outro conceito relacionado ao tema diz respeito ao desgaste psíquico, que compreende 3 quadros clínicos: O desgaste orgânico da mente (seja em acidentes do trabalho, seja pela ação de produtos tóxicos); o mal-estar psíquico (a fadiga mental e física é uma delas); e nos casos que afetam a identidade do trabalhador, ao atingir valores e crenças que podem ferir a dignidade e a esperança.

 Em suma, a inter-relação saúde mental e trabalho abrange do mal-estar ao quadro psiquiátrico, incluindo o sofrimento mental. Para Dejours et al. (1994) o sofrimento mental é a experiência subjectiva intermediária entre doença mental descompensada e o conforto (ou bem-estar) psíquico.

 Os sinais e sintomas podem caracterizar o medo, estresse, ansiedade (inclusive de teor persecutório), depressão, nervosismo, tensão, perda de apetite, distúrbios de sono, distúrbios psicossomáticos (gastrite, crises hipertensivas), e ainda há aqueles que sonham com o trabalho, sem conseguir desligar-se, etc.

 De maneira geral, pode-se afirmar que, quanto menor a autonomia do trabalhador na organização de sua atividade, maiores as possibilidades de que a atividade gere transtornos à saúde mental. Porém, o excesso de trabalho e a pressão por produção ocorrem em todos os degraus da hierarquia. Exemplificando, encarregados e gerentes vivem tais situações assim como operários e empregados de balcão.

 Embora apresentem alta prevalência entre a população trabalhadora, os distúrbios psíquicos relacionados ao trabalho, frequentemente deixam de ser reconhecidos como doentes profissionais, no momento da avaliação clínica. Contribuem para tal fato, entre outros motivos, as próprias características dos distúrbios, regularmente mascarados por sintomas físicos, bem como a complexidade inerente à tarefa de definir-se claramente a associação entre tais doenças e o trabalho desenvolvido pelo paciente.

 Outra dificuldade importante refere-se a ausência na Classificação Internacional das Doenças, de um grupo de diagnósticos de distúrbios específicos relacionados com o trabalho. Essa não-caracterização do papel do trabalho como agravante ou desencadeante de distúrbios psíquicos, ocasiona prejuízos não só à qualidade e à eficácia do tratamento, como aos direitos legais do trabalhador, que deixa de usufruir de benefícios da Segurança Social aos quais eventualmente tenha direito, como por ex. o subsídio de doença. O desafio seria: reconhecer, diagnosticar e fazer a relação causal dos transtornos mentais com o trabalho, considerando as condições ambientais, a organização e a percepção da influência do trabalho no processo de adoecer.

 Além dos aspectos da situação de trabalho há de considerar situações extra trabalho, (assaltos por ex.), que podem atuar de forma conjunta no desencadeamento de transtornos mentais. Embora seja uma realidade mais premente no Brasil, a violência é uma situação que já se preocupa em Portugal. A doença relacionada ao assalto compreende a síndrome pós-traumática. O quadro em geral é de irritabilidade, angústia difusa, reações emocionais exageradas. Além disso, o indivíduo revê e revive mentalmente a cena traumática, acompanhado de mal-estar, às vezes com sudorese e taquicardia. Os pesadelos também repetem o evento traumático com distúrbio de sono e um estado de tensão no qual ocorrem sobressaltos, como se a pessoa estivesse em permanente estado de prontidão.

 Diante de qualquer sinal ou sintoma, o trabalhador deve procurar ajuda profissional. No caso dos distúrbios, necessita de uma equipe multidisciplinar para o controle do quadro clínico no sentido de resgatar a sua identidade profissional e social, incluindo tratamento com medicação e psicoterapia.

 A evolução dos quadros clínicos depende de todo um suporte fornecido (ou não) pela empresa, sindicato, Centro de Saúde, Segurança Social, familiares e instituições, entendendo tal suporte como um conjunto de ações que resgatem essa identidade.

 Nos casos de retorno ao trabalho após afastamentos por distúrbios psíquicos, além do tratamento específico, o suporte por parte dos colegas e chefias também é fundamental.

 A problemática da demissão é outra realidade, uma vez que muitos deles são demitidos com o quadro clínico em atividade. A demissão representa a exclusão dos trabalhadores, funcionando a situação de trabalho (com organizações rígidas, pressão do tempo e das gerências, etc), como selecionadora de trabalhadores. Além de gerarem a perda do direito à assistência por parte do convénio ou da Segurança Social, levam à perda da identidade profissional e à piora da qualidade de vida, com a diminuição dos recursos financeiros.

 Diante de tal realidade, é importante considerar toda a problemática que envolve às situações de trabalho na vida do trabalhador como um dos determinantes no processo saúde/doença. Favorece uma prevenção adequada, e na presença de qualquer distúrbio, evita que o percurso do trabalhador seja mais doloroso e traumático do que a própria doença lhe impõe.

Teoria Cognitiva Comportamental: “Um Novo Paradigma do Ensinar a Pensar”

terça-feira, 20 de outubro de 2009

“Se (ensinar a pensar) não é possível, e o tentamos fazer, talvez estejamos a desperdiçar algum tempo e esforço. Se é possível,e nós não o tentamos,o custo inestimável serão gerações de alunos (futuros profissionais) cuja habilidade para pensar de modo eficiente será menos do que aquilo que poderia ter sido”.

Nickerson, R.S., Perkins,D.N.,Smith,E.E.(1985),The Teaching of Thinking New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates

O presente artigo constitui um esforço de relevo sobre o tema, pois ao abrir caminho para educação cognitiva como resposta válida e credível para responder aos problemas de habilidades sociais, fornece pistas teóricas e práticas de grande utilidade para quem no seu quotidiano lida com ser humanos que utilizam a sua cognição para aprender a viver.

A Terapia Cognitiva Comportamental é uma das abordagens que tem demonstrado grande êxito pelos resultados obtidos no tratamento dos mais variados transtornos e patologias clínicas. Sua base teórica trata da compreensão dos processos cognitivos e sua rede de significados que são propiciados por meio da percepção, seleção e significação das informações provenientes do meio externo.

É desse modo que cada indivíduo tem sua interpretação da “vida” de um modo único e idiossincrático. Na trajetória de sua história de vida cada indivíduo enxerga o mundo ao seu modo e este modo de enxergar é pautado em “crenças” que nada mais são que “valores” que os indivíduos constroem através de suas experiências na sua trajetória de vida. Fundamentados sob esta condição nas concepções cognitivistas exibiram as mais diferenciadas ferramentas de ajustes cognitivos como os registros de pensamentos disfuncionais (J.Beck,1997), as técnicas de reestruturação cognitiva (Beck e Freeman,1993), o processo de identificação das crenças irracionais (Ellis,1988) assim como a prática da correção ou substituição dos padrões disfuncionais em padrões mais funcionais do pensamento. Nickerson (1985, cit.in Beltrán,Moraleda,Alcañiz,Calleja e Santiuste,1990) afirma mesmo que o ensinar a pensar ou treino cognitivo não só de ser um objetivo educativo legítimo como deve constituir um verdadeiro imperativo,pois,como refere,é difícil imaginar “uma meta educativa mais importante do que o ensinar e aprender a pensar de um modo mais efetivo quando a Humanidade padece de múltiplas ameaças causadas por comportamentos irracionais” (Vitor da Fonseca e Victor Cruz,2002).

Neste sentido o ‘conhecimento’ foi aceito como representação direta do mundo exterior, cabendo ao terapeuta (profissional da área da saúde) auxiliar o paciente entender e se ajustar ou aperfeiçoar aos padrões mais condizentes com a realidade social estabelecida. Agindo dessa maneira, o terapeuta ‘sabe’ aquilo que é melhor para seu paciente. Isto se explica porque ao pensamente foi atribuído um caráter determinante e, à sua disfunção a diversas psicopatologias. Quanto às emoções intensas, figuras indesejáveis ao bem – estar humano restou-lhes unicamente o controle.

A destreza e o manuseio pelo paciente dos diferentes modos de entender a realidade fez com que, em certo sentido, o organismo fosse entendido como passivo às interferências do meio,devendo então se curvar e, face aos eventuais erros do pensamento,exibir maior adequação. O objetivo da compreensão da teoria cognitiva comportamental  não é de interpretar ou uma tentativa de ‘criar’ uma teria de leis gerais sobre o funcionamento da psique humana,mas levantar hipóteses gerais de como  o indivíduo construiu a sua realidade,analisando os padrões de pensamento gerados por estas crenças,que, quando s inadequadas ou disfuncionais,podem vir a criar sofrimento para o ser humano. Através das técnicas cognitivas propõe-se, a mudança dessas crenças e, como conseqüência sobrevém o alívio do sofrimento seja ele emocional, físico ou orgânico.

Concluindo: Muitos pensamentos considerados “corretos e verdadeiros” podem refletir percepções distorcidas da realidade e podem ser indícios de dificuldades em lidar consigo, com o mundo e com o futuro. Importante para todo e qualquer terapeuta da área da saúde é sua habilidade de relacionamento, tanto com o paciente quanto do profissional, são variáveis altamente relevantes no estabelecimento desta nova relação,

Determinando significação à probabilidade de resultados benéficos ou distintivos. Considerando que a aliança é,ao mesmo tempo,interpessoal e interativa a habilidade e a história passada não só do paciente,mas também do terapeuta, podem desempenhar um papel desempenhar um papel nesta configuração.E em sendo assim todo e qualquer terapeuta da área da saúde com formação teórica  cognitiva comportamental terá probabilidade de exercer sua profissão com excelência.

 

Dra.Cleomar Landim de Oliveira

 

Bibliografia:

- CRUZ, Victor e FONSECA, Vitor da Educação Cognitiva e Aprendizagem   Porto Editora, Porto,Portugal, 2002

Técnicas de arte e o seu uso na intervenção psicopedagógica

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Dizer do valor do desenho como meio facilitador da intervenção psicopedagógica parece-nos supérfluo em um trabalho deste tipo. Embora não se tenha muitas obras específicas no campo psicopedagógico, sabemos que a partir de 1985 tem sido escrita, inúmeras obras sobre o desenho e desenvolvimento global e intelectual, desenho e aspectos de aptidões e interesses, desenho e personalidade, patológica, diagnóstica e terapêutica. E é nesta obra que o psicopedagogo tem que buscar subsídios para a sua prática. Goodenough (1928), Goodenough e Harris (1950), Naville (1950), Riax (1951), Dias Arnal (1959), Stora fizeram revisões bibliográficas muito importantes até 1960. É evidente que desta data até o momento essa lista foi acrescentada de vários trabalhos principalmente no que diz respeito ao estudo da personalidade patológica, diagnóstico e terapêutica, todos voltados para a atuação psicológica e psiquiátrica, mas que não deixam de auxiliar na prática psicopedagógica.

É para esta práxis que vai convergir este artigo. Preocupa-nos, antes de tudo, o aspecto da utilização do desenho como técnica psicopedagógica, ou melhor, técnica expressivo-projetivas e como o psicopedagogo vai usar as mesmas.

O psicopedagogo não pode e não deve analisar a produção da criança em termos psicológicos. O desenho deverá ser usado como apoio na avaliação inicial, com o objetivo de um bom encaminhamento para outros profissionais, como: psicólogos, psicomotricistas, neurologistas, etc. E durante a intervenção como facilitador na relação inicial com o psicopedagogo, como “cartase”,onde este profissional só propicia ao aprendente uma “escuta sem nenhuma interpretação.

No desenho do corpo humano, por exemplo, o psicopedagogo se prende aos aspectos maturativos, baseado em Escalas como a de Wintsch.

É importante saber que o desenho do corpo aparece primeiro de frente e posteriormente de perfil; das figuras paradas (estáticas) passa-se de maneira progressiva as figuras em movimento. A criança inicialmente desenha os membros superiores, depois inferiores e finalmente todo o corpo.

O desenho inicial é celular, tomando uma forma de saco, onde colocam quatro traços à guisa de representação dos membros superiores e inferiores. A célula inicial caminha para uma pré-geometrização, gradativamente atinge a transparência e por último a tentativa de vestir o desenho. Em meio a estas fases temos duas transformações importantes, a criança passa da assimetria inicial para uma simetria radical. As mudanças gráficas acompanham de modo paralelo a evolução cognitiva, refletindo os investimentos libidinais da criança sobre o corpo. O aparecimento de estruturas base como trapézio, triângulo, etc.Demonstram a importância que a criança está dando ao seu corpo e as suas partes. A criança substitui a célula com a qual representava o corpo pelo quadrado e/ou pelo retângulo, embora o corpo esteja de frente os pés ainda são representados de perfil. Progressivamente começam as primeiras diferenciações tanto da morfologia como da ação, sendo esta última que impõe todos os traços  da representação. A proporção do desenho começa a ser esboçada mediante a disposição espacial introjetada.

A evolução do desenho do corpo passa de um desenho fantasmático, “bonhomme tetard”para um desenho de perfil e posteriormente para um desenho  de frente com mais detalhes.

Bibliografia:

Wallon, H. Lurçat, L, 1959.L’espace graphi del’enfant, Journal de psychologie normale ET pathologique, 56, 427-453.

- 1062,Espace postural ET espace environnant (le  schéma corporel), Enfance, 15, 1-33