Arquivo de junho de 2011

Curso: Artes como Recurso na Intervenção e na Avaliação Psicopedagógica

segunda-feira, 13 de junho de 2011
  • Profª Mestre em Psicologia- Mônica Hoehne Mendes (ambas Conselheiras da ABPp – São Paulo)
  • Rose Soares – formada em Artes Plásticas, Psicomotricista e Psicopedagoga.

Partindo do ponto de vista que a arte é mediadora do conhecimento de si mesmo e do mundo, o objetivo do curso é propiciar vivências com diferentes técnicas de artes,de maneira a facilitar a reflexão sobre os recursos terapêuticos presentes nestas atividade.Através da observação do outro procuraremos instrumentalizar os participantes para uma leitura simbólica a nível cognitivo e a nível afetivo.

A estrutura do curso visa possibilitar uma interação entre teoria e prática, por meio de oficinas de artes plásticas, técnicas projetivas psicopedagógicas e leitura de textos.

Metodologia:

  • Aulas expositivas
  • Aulas práticas (oficinas)
  • Debates

Avaliação:

  • Trabalhos práticos (oficinas)
  • Participação nos debates (baseado na leitura de textos)
  • Entrega dos Trabalhos

Carga Horária: 32 / aula (04 sábados alternados: de 8:00 às 12:00 e de 14:00 às 18:00

Certificado com a chancela da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática – ABMP- DF

Investimento: 250,00 a vista ou 280,00 em dois cheques pagos no Banco Itaú agência 0066 conta corrente 74487-1 em nome de Cleomar Landim de Oliveira

SÍNDROME DO NINHO VAZIO

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Por Solange Brigido

A falta que os filhos fazem

Os filhos crescem, se formam, começam a trabalhar, casam-se…quando resolvem “bater asas” e sair de seus ninhos, surge a dor. É uma dor humana como se sussurrasse aos ouvidos: “Eles se foram, e agora? O que vou fazer da minha vida? Do que vou me ocupar? Ninguém depende mais de mim?

 As mães enfrentam um período de tristeza profunda, solidão e um enorme vazio que parece não ter fim. Elas constatam que já não é necessário desempenhar o papel de mãe ao qual estavam acostumadas e agora precisam se adaptar à nova vida longe dos filhos. È como se a vida perdesse todo o sentido, pois não se sentem mais úteis. Este drama interno acontece, não porque seus filhos já não dependem mais da mãe, mas porque ela é dependente deles, ou seja, depende daquela dependência que eles tinham por ela. A este sentimento de vazio e tristeza consequente dá-se o nome de Síndrome do Ninho Vazio.

O problema se agrava com a chegada da menopausa, pelo processo de modificação corporal fisiológico. O corpo, internamente, vai tomando consciência de que já não pode mais gerar e associado à saída de casa dos filhos, a sensação de tristeza aumenta.

Inevitavelmente as mães remontam ao passado e já não reconhecem mais as vossas casas. Aquela bagunça de brinquedos espalhados pelo chão, desordem no quarto, as camas que serviam de pula-pula…são substituídos por uma casa impecavelmente arrumada e um silêncio extraordinário, outrora tão almejados, mas que no momento passa a ser questionado. Até que ponto esta fase da infância com os filhos foi bem aproveitada ou tomada por pequenas neuroses humanas, nomeadamente, mania de limpeza, ordem, arrumação e exigências que subtraíram o precioso tempo de curtição em família?

A síndrome do ninho vazio como qualquer síndrome tem um fundo psicológico. Apesar da dor, isto não é doença. Ocorre com muita frequência e principalmente com mulheres que não desenvolveram outros papéis, fixaram-se unicamente no papel de mãe.

Mas será que esse vazio passa? O que fazer para suprir essa falta? O que aconteceu na dinâmica dessas famílias que centralizaram a atenção exclusivamente sobre os filhos? O que está faltando para esses casais?

É preciso uma reflexão sobre os papéis que desempenhamos na vida.

Há muita coisa para ser planejada, muita vida pela frente e os pais não podem esquecer que primeiramente são esposo e esposa, e até muito antes disso, homem e mulher.

É necessário buscar a individualidade de cada um dentro do núcleo familiar. Isto é super importante para que todos tenham uma identidade própria como indivíduo, sem se apoiar e depositar seus desejos no outro. Com os papéis estabelecidos, os vínculos fortalecidos e os espaços respeitados, é possível pais e filhos crescerem juntos. Assim, aprendem a curtir com prazer o caminho que os levam a uma vida saudável e feliz. Com essa família forte, o ninho jamais ficará vazio.

Uma boa estrutura familiar permite que os filhos saiam de casa, mas da mesma forma permite que eles se sintam acolhidos e encontrem espaço sempre que quiser ou precisar voltar. O filho que já sabe que é amado por seus pais, precisa testar se também poderá ser amado pelo mundo, e para tanto precisa desprender-se da mãe. Faz parte do seu processo de individuação.

Outro aspecto relevante é que mesmo os pais sendo felizes com os filhos, o casamento pode melhorar quando eles saem de casa. É um momento oportuno para o casal (re)conhecer um ao outro e antes disso, reconhecer-se a si mesmo, descobrir-se (como homem e mulher) e (re)aprender a viver juntos e sozinhos. É o momento do recomeço, de (re)aquecer a chama do casamento. É importante que ambos procurem resgatar o que gostavam de fazer anteriormente à vinda dos filhos, transitando em seus diferentes papéis sem se fixar num só. A mulher também não pode se esquecer de que também para o marido, a síndrome do ninho vazio pode se fazer presente.

Ninguém pode viver em função de seus filhos como se o casamento só existisse na presença deles. Constatar que se vive para os outros e não com os outros não é saudável para o casal. Como diz o velho ditado “criam-se os filhos para o mundo”. Eles não são propriedades de ninguém, mas às vezes é difícil de aceitar. Os filhos também sofrem com isso, mas eles só vão entender quando assumirem papéis de pais.

Para evitar todo esse drama é fundamental que a mãe perceba que não é necessário manter vínculos de apego para ser uma pessoa inteira e que embora os filhos cresçam o amor não diminui, somente a forma de demonstrá-lo é que mudou. Aliás vive-se em constante transformação. De definitivo e eterno somente os pais, os filhos e o amor que os envolve.

É importante que os pais não parem a sua caminhada e consigam redescobrir o prazer nos diferentes papéis. Pais e filhos são cúmplices na aprendizagem, na descoberta da vida. Companheiros e amigos nas transformações, jamais proprietários.

Transtornos de Personalidade – Artigo I

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Profª Dra. Cleomar Landim de Oliveira

  1. História dos Transtornos de Personalidade

Os tipos e transtornos de personalidade têm sido descritos há muitos anos, ilustrados na descrição dos quatro temperamentos hipocráticos: o melancólico pessimista, o sanguíneo otimista, o colérico irritável e o flegmático apático. Observa-se que no início a teoria grega destes quatro temperamentos, determinada pela proporção relativa de quatro humores corporais (biles negra, sangue, biles amarela fleuma), que já refletia os atuais intentos por descobrir as bases biogenéticas da personalidade.

No início do século XIX, psiquiatras como Pinel, Esquirol, Rush e Pritchard descreveram os tipos de personalidade socialmente inadaptados em situações clínicas. Começando o século XX,foram descobertos tipos mais específicos de personalidade; Janet(1901) e Freud(Breuler e Freud 1893-1895/1957)definiram os traços psicológicos associados com a histeria,o percursor do transtorno histriônico da personalidade. Na teoria psicanalítica instintos primários, Abraham propôs que a detenção em algum dos três estádios psicosexuais do desenvolvimento infantil (as fases oral, anal e fálica) levava ao desenvolvimento dos tipos de caráter dependente, obsessivo-compulsivo e histérico, respectivamente. Evidentemente este ponto de vista mudou quando a teoria dos instintos primários e o modelo psicológico do EU da teoria psicanalítica foi substituída pela teoria das relações objetais,a qual propõe que a personalidade se forma na primeira infância a partir das relações parentais.Os riscos da personalidade do tipo dependente derivam da privação parental,os riscos obsessivo-compulsivo da luta pelo poder com a figura paterna,os riscos histéricos, sobrevém em parte,da sedução e rivalidade com os pais.Os conceitos de transtorno limite e narcisista da personalidade também se desenvolvem a partir da teoria das relações objetais.

Na década de 1920 os fenomenólogos alemães Kraepelin(1921) e Kretschmer (1925)descobriram os tipos da personalidade em termos de conceito de espectro(teoria na qual os tipos de personalidade estão relacionados biogeneticamente com a variação das psicoses paranóides e afetivas que atualmente se considerariam transtorno do Eixo I).

Estes tipos do espectro da personalidade foram os antecedentes dos atuais transtornos paranóides, esquizotímico, ciclo tímico e depressivo da personalidade. Entretanto Schneider (1958),também fenomenólogo alemão considerava que os transtornos da personalidade representavam desvios sociais e variáveis extremas de traços normais da personalidade. Favorecendo do desenvolvimento do primeiro sistema amplo de categorias dos transtornos da personalidade, proporcionando para muitos dos transtornos contemplados na 10ª revisão da Classificação Estatística Internacional de Enfermidades (CIE-10 em 1992) e na DSM-IV.

Os transtornos da personalidade estão incluídos em todas as versões da DSM, mas apenas os transtornos paranoide, obsessivo-compulsivo (TOC) e anti-social foram mantidos de modo estável na DSM. (Algumas categorias atuais (por exemplo, o transtorno da personalidade limite) foram mantidas em edições posteriores, enquanto outras (por exemplo, o transtorno da personalidade por inadequação) foram eliminadas). Com o tempo  as categorias DSM em relação aos transtornos da personalidade teve mudanças.

Em 1952 foi publicado a DSM-I onde definia os transtornos da personalidade não como padrão crônico e estável, mas como desvios que não funcionavam corretamente, com situações estressantes e que produziam um comportamento inflexível e inadaptável. O DSM-II (1968) afirmava que os transtornos da personalidade incluíam não só uma conduta socialmente desviada, mas também indisposição indefinida e deterioração do funcionamento.

A DSM-III fez várias mudanças, relevantes na conceptualização e classificação dos transtornos da personalidade. Afastou-se da orientação psicanalítica e buscou um enfoque ateórico e descritivo.Agregaram critérios diagnósticos específicos,e os transtornos da personalidade foram para um Eixo separado para ressaltar a importância  de seu diagnóstico.

Na DSM-III-R e na DSM-IV trataram de aumentar a validade das categorias do transtorno da personalidade incorporando os dados gerados na crescente literatura empírica. Ainda que as descrições atuais da DSM procurem representar uma síntese ótima entre a tradição clínica e os achados empíricos, provavelmente continuaram evoluindo com o tempo, à medida que aumente nossa compreensão acerca destes transtornos.

Bibliografia

-BECK,Aaron T; FREEMAN, Arthur:DAVIS,Denise